quarta-feira, 28 de julho de 2010

Memórias do Uruguai


Estou lendo Eduardo Galeano. Pela primeira vez. Estou apaixonada por Eduardo Galeano. A simplicidade do nome do livro já revela algo de como serão os textos: O Livro dos Abraços. Ainda não acabei, mas estou totalmente encantada com os pequenos contos (de, no máximo, duas páginas) sobre observações do mundo com um quê de poesia.
Os textos são impressões colhidas na América Latina, inclusive no Brasil, e em outras viagens. São retratos do cotidiano, da inocência das crianças, dos abusos da ditadura, da dor e da alegria humanas. É incrível como o autor dar um encadeamento aos textos. Uma história puxa a outra, são ligadas por um tema, uma palavra, mesmo que isso fique totalmente implícito e q cada texto seja totalmente independente.
Peguei o livro emprestado na biblioteca pública. Sim, sou uma daquelas pessoas q ainda frequenta bibliotecas públicas. Não faço questão de guardar os livros (caros) nas prateleiras p/ empoeirar.
Divido esse link, com um PDF do Livro dos Abraços. Vale a pena ler.
Abaixo dois textos de aperitivo:



A desmemória/1

Estou lendo um romance de Louise Erdrich. A certa altura, um bisavô
encontra seu bisneto. O bisavô está completamente lelé (seus pensamentos têm a
cor da água) e sorri com o mesmo beatifico sorriso de seu bisneto recém-nascido. O
bisavô é feliz porque perdeu a memória que tinha. O bisneto é feliz porque não tem,
ainda, nenhuma memória.
Eis aqui, penso, a felicidade perfeita. Não a quero.


Paradoxos

Se a contradição for o pulmão da história, o paradoxo deverá ser, penso eu, o espelho que a história usa para debochar de nós.
Nem o próprio filho de Deus salvou-se do paradoxo. Ele escolheu, para nascer, um deserto subtropical onde jamais nevou, mas neve se converteu num símbolo universal do Natal desde que a Europa decidiu europeizar Jesus. E par mais inri, o nascimento de Jesus é, hoje em dia, o negócio que mais dinheiro dá aos mercadores que Jesus tinha expulsado do templo.
Napoleão Boanaparte, o mais francês dos franceses, não era francês. Não era russo Josef Stálin, o mais russo dos russos; e o mais alemão dos alemães, Adolf Hitler, tinha nascido na Áustria. Marguerita Sarfatti, a mulher mais amada pelo anti-semita Mussolini, era judia. José Carlos Mariátegui, o mais marxista dos marxistas latino-americanos, acreditava fervorosamente em Deus. O Che Guevara tinha sido declarado completamente incapaz para a vida militar pelo exército argentino. Das mãos de um escultor chamado Alejadinho, que era o mais feio dos brasileiros, nasceram as mais altas formosuras do Brasil. Os negros norte-americanos, os mais oprimidos, criaram o jazz que é a mais livre das músicas. No fundo de um cárcere foi concebido Dom Quixote, o mais andante dos cavaleiros. E cúmulo dos paradoxos, Dom Quixote nunca disse sua frase mais célebre. Nunca disse: Ladram, Sancho, sinal que cavalgamos.
"Acho que você está meio nervosa", diz o histérico. "Te odeio", diz a apaixonada. "Não haverá desvalorização", diz, na véspera da desvalorização, o ministro da Economia. "Os militares respeitam a constituição", diz, na véspera do golpe de Estado, o ministro da defesa.Em sua guerra contra a revolução sandinista, o governo dos Estados Unidos coincidia, paradoxalmente, com o Partido Comunista da Nicarágua.
E paradoxais foram, enfim, as barricadas sandinistas durante a ditadura de Somoza: as barricadas, que fechavam as ruas, abriam o caminho.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Eu quero!


As open boots chegaram p/ ficar. Um calçado com uma vantagem indiscutível: pode ser usado em qquer estação, seja verão ou inverno. Qdo surgiram, na temporada passada, eu ainda tinha dúvidas da sobrevivência das peças. Mas, com o lançamento de novos modelos, com recortes lindos, as open boots são peças de desejo. Eu preciso de uma!
Tbm chamada de sandal boots – vc decide se acha q está mais p/ uma botinha na altura do tornozelo aberta, peep toe, ou se para uma sandália mais fechada - são uma ótima compra.
Como a roupa deve ganhar um ar mais minimalista, a atenção se volta para os sapatos. É legal investir em cores, se vc não tem medo de ousar. Cartelas fortes e neon dão um up para peças mais básicas. Outro ponto são as texturas, couros trabalhados ou materiais naturais.
No inverno, dá p/ usar, sim, com meia-calça. No verão, sem nada mais nos pés.
Prático e lindo. Eu preciso de uma!