Acabei de chegar de Pernambuco, um Estado em construção. Um lugar mais pobre do que eu imaginava. Tinha em mente que os Estados do Nordeste eram miseráveis no interior e mais prósperos no Litoral, pelo turismo e pela proximidade com suas capitais. Mas não. A pobreza tá lá, aos olhos dos turistas. Nos casebres feitos de barro e cobertos de palha, sem água encanada ou luz. Na vida sem esperança dos bóias-frias q trabalham nos infinitos canaviais que preenchem as beiras de estrada. É época do corte da cana e as queimadas se espalham perigosamente pelo caminho.
Mas Pernambuco começa a crescer. Colher os frutos do turismo e do incentivo fiscal para a instalação de empresas. É um Estado em construção. As obras se espalham. São novos hotéis, novas indústrias, estradas duplicadas.
Recife guarda o charme algo decadente no Centro antigo, com seus casarios holandeses. Mas, como toda capital, também tem os mendigos dormindo nas praças e a praga da pichação nos prédios, assim como as orientações de onde os turistas não devem andar pelo perigo de assaltos. Fiquei tentada a comprar uma sombrinha de frevo. Mas parei e refleti: "o q vou fazer com uma em minha casa?" Não comprei.
Em Olinda, as ladeiras, mesmo vazias, parecem ecoar o carnaval com os bonecos gigantes. A vista aos fundos da igreja da Sé é maravilhosa. Nas casas antigas, as pessoas ainda moram ou servem de comércio e escola.
Fiquei em Porto de Galinhas, praia com um mar encantadoramente azul. Mas a antiga vila de pescadores, localizada no município de Ipojuca, já ta meio farofa demais para o meu gosto. Na areia, os locais dividem espaço com famílias, crianças correndo e gritando e ambulantes mil. Nos hotéis, a maioria é casal em lua de mel ou aposentados, o q não é mto interessante para uma garota de 26 anos q viaja sozinha. Não q eu tenha me sentido só (se eu nasci sozinha, posso tranquilamente conviver com isso), mas Porto de Galinhas não é o q eu chamaria de um lugar agitado. O máximo de diversão é um forró. Numa quarta, fui na Santeria, casa noturna com as paredes cobertas de santos e orixás (o máximo!). Era dia de forró e dois dançarinos rodopiavam pelo salão com as turistas. Mtos nativos tbm freqüentam a casa. Dancei forró e quadrilha e me diverti. Mas, na saída, lá estavam um grupo de quatro ou cinco moleques, uns 12 anos no máximo, pedindo: “tia, tem um R$ 1?” Eles não deveriam estar em casa naquela hora da madrugada? É o tal progresso... Fiquei pensando como será o futuro de Porto de Galinhas, um lugar q era um vila qse deserta há uns 15 anos e q agora recebe milhares de turistas. Não sei qual o planejamento deles na questão de saneamento, por exemplo, e crescimento imobiliário (se é q existe algum tipo de planejamento).
Mas, mesmo não conhecendo tantos lugares assim, posso dizer q a beira-mar realmente é uma das mais bonitas do Brasil. Outro lugar espetacular q conheci foi Maragogi, em Alagoas. Fiz mergulho com cilindro pela primeira vez. No começo, me deu um certo pânico, confesso. Faço natação há cinco anos, mas é totalmente estranho para alguém q está acostumado a botar a cabeça p/ fora da água p/ respirar ter q ficar puxando ar pela boca por um tubo. Mas dpois q acostuma é bacana. É parecido com snorkel, na real, só q acima da sua cabeça tem mto mais litros de água. O mar de Maragogi é inacreditavelmente azul e transparente.
Outro lugar q chega a doer de tão lindo é a praia de Carneiros, na cidade de Tamandaré, no sul de Pernambuco. Antiga fazenda de coco da família Carneiros, embora tenha alguns restaurantes, pousadas e propriedades particulares, ainda guarda um certo encanto de lugar deserto em alguns pontos, com coqueiros a perder de vista e mar salpicado por canoas e barcos de pescadores.
Volto com a certeza de q conhecer novos lugares faz bem p/ a alma e p/ a saúde. Definitivamente, eu preciso de sol p/ ser feliz.
P.S.: tem fotos no meu álbum: http://picasaweb.google.com.br/kellyisisp/PortoDeGalinhasOut09#